
Foto: Suzana Massini
Quantas vezes não nos traduzimos tanto nas poesias ou canções escritas, a ponto de parecer ter sido 'roubados' os nossos pensamentos em quanto dormia?
Por isso costumo amar os versos mais simples, aqueles que possuem a beleza das palavras subjetivas sem parecer apenas um balaio de significados, em que muitas vezes o leitor se sente perdido, sem identificação. Prefiro as tramas que chama o leitor pra compartilhar e por vezes causar distintas impressões pessoais daquilo que é dado, como já disse Lya Luft "Para mim é aquela mesma fala no ouvido do leitor, que tanto me agrada e faço em romances ou poemas - um chamado para que ele venha pensar comigo."
Não desmereço aqui nenhuma forma poética, a arte literária como todas as outras é rica devido a liberdade de criação, mas expresso aqui apenas a estética que mais me cativa, me toca! Veja abaixo alguns exemplos dos meus autores preferidos.
Para não dizer adeus
A certeza vela atrás de um muro
ou dorme num poço
onde nada se escuta ou avista.
Sempre que partes, morro um pouco
por não saber se retornas.
Minhas mãos doem de tanto abrir-se
para que vás tranquilo.
Só assim hás de querer estar comigo:
sem que eu insista.
(Fingir que te deixo livre
é um jeito egoísta
de amar.)
Lya Luft
-------------------------------------------------------------------------------------------------"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.(...)Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade ".Trecho de "A Paixão segundo G.H" - Clarice Lispector
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"Beijo pouco, falo menos ainda. / Mas invento palavras / Que traduzem a ternura mais funda / E mais cotidiana. / Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. / Intransitivo: / Teadoro, Teodora."
Manuel Bandeira
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- Existe uma infinidade de autores com essa sensibilidade em versos simples, outros que também gosto muito em suas crônicas, como o Caio F Abreu, Carpinejar, ou mesmo Vinícios de Moraes, mas deixarei o seu tempo livre para as buscas ou citações nos comentários, daqueles que te tocam!
By Raiana, que se transparece nos versos e sorri entre os subentendidos.









